"Que caia um muitão de chuva, até chover dentro de mim, pingar-me os tetos da cabeça, me aguar o coração e eu sentir que Deus me está lavando das poeiras que a vida me sujou."
''Mas sabes principalmente, (...) que tudo passará um dia, quem sabe tão de repente quanto veio, ou lentamente, não importa.''
domingo, 27 de março de 2011
Tem dias que a gente se sente como se fosse metade, faltando a outra parte sem saber onde foi que perdeu. A dor se instala num cantinho apertado do coração e lá pede sala e café. Momentos esses que trazem abismos pros pés. Cicatrizes que vêm de encontro com um futuro limpo. Pequenas amarguras embrulhadas em papel de seda. Canetas vermelhas que não saem do bolso. Só que já decidi que o amanhã sou eu que faço. Não me despedaço, nem viro farelo não. Porque se sobrou espaço no coração é pra amar melhor, decidir com sabedoria daqui pra frente quem é que vai entrar e quem tem que sair. E das levezas, meu amor, eu quero todas. Cansei de gente pesada que traz chumbo pra vida da gente. Cansei de cara amarrada, de sorriso forçado e amarelo. Eu quero saber é daquele brilho no olho, sorriso escancarado, aperto de mão. E isso, sim, cabem direitinho, aqui e ali... aonde quer que a gente vá.
Cris Carvalho
quarta-feira, 23 de março de 2011
Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!
Cecília Meireles
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!
Cecília Meireles
Da Fernanda para nós!
"Ela também teve seu coração machucado. Dilacerado, imagino. Normal. Desse mal, meu bem, ninguém escapa. Mas o bom disso tudo é que agora consigo abrir meu coração sem rodeios. Sim, amei sem limites. Dei meu coração de bandeja. Sim, sonhei com casinhas, jardins e filhos lindos correndo atrás de mim. Mas tudo está bem agora, eu digo: agora. Houve uma mudança de planos e eu me sinto incrivelmente leve e feliz. Descobri tantas coisas. Tantas, Tantas. Existe tanta coisa mais importante nessa vida que sofrer por amor. Que viver um amor. Tantos amigos. Tantos lugares. Tantas frases e livros e sentidos. Tantas pessoas novas. Indo. Vindo. Tenho só um mundo pela frente. E olhe pra ele. Olhe o mundo! É tão pequeno diante de tudo o que sinto. Sofrer dói. Dói e não é pouco. Mas faz um bem danado depois que passa. Descobri, ou melhor, aceitei: eu nunca vou esquecer o amor da minha vida. Nunca. Mas agora, com sua licença. Não dá mais para ocupar o mesmo espaço. Meu tempo não se mede em relógios. E a vida lá fora, me chama!"
sexta-feira, 11 de março de 2011
você.
...Poderíamos casar , teríamos um apartamento, tomaríamos café as cinco da tarde, discordaríamos quanto a cor das cortinas, não arrumaríamos a cama diariamente, a geladeira seria repleta de congelados e coca-cola, o armário, de porcarias, adiaríamos o despertador umas trinta vezes, sentaríamos na sala de pijama e pantufas, sairíamos pra jantar em dia de chuva e chegaríamos encharcados, nos beijaríamos no meio de alguma frase, você pegaria no sono com a mão no meu cabelo e eu, escutando sua respiração. Eu riria sem motivo e você perguntaria porque, eu não responderia... saberíamos.
''Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei. Conta a lenda que tudo que cai nas águas deste rio - as folhas, os insetos as penas das aves - se transforma nas pedras do seu leito. Ah, quem dera eu pudessa arrancar o coração do meu peito e atirá-lo na correnteza, e então não haveria mais dor, nem saudade, nem lembranças. Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei. O frio do inverno fez com que eu sentisse as lágrimas no rosto, e elas se misturaram com as águas geladas que correm diante de mim. Em alguma lugar este rio se junta com outro, depois com outro, até que - distante dos meus olhos e do meu coração - todas estas águas se confundem com o mar. Que as minhas lágrimas corram assim para bem longe, para que meu amor nunca saiba que um dia chorei por ele. Que minhas lágrimas corram para bem longe, e então eu esquecerei o rio Piedra, o mosteiro, a igreja nos Pireneus, a bruma, os caminhos que percorremos juntos. Eu esquecerei as estradas, as montanhas e os campos de meus sonhos - sonhos que eram meus, e que eu não conhecia. Eu me lembro do meu instante mágico, daquele momento em que um “sim” ou um “não” pode mudar toda a nossa existência. Parece ter acontecido há tanto tempo, e - no entanto - faz apenas uma mes que reencontrei meu amado e o perdi. Nas margens do rio Piedra escrevi esta história. As mãos ficavam geladas, as pernas entorpecidas pela posição, e eu precisava parar a todo instante. - Procure viver. Lembrar é para os mais velhos - dizia ele. Talvez o amor nos faça envelhecer antes da hora, e nos torna jovens quando a juventude passa. Mas como não recordar aqueles momentos? Por isso escrevia, para transformar a tristeza em saudade, a solidão em lembranças. Para que, quando acabasse de contar a mim mesma esta história, eu a pudesse jogar no Piedra - assim me dissera a mulher que me acolheu. Então - lembrando as palavras de uma santa - as águas poderiam apagar o que o fogo escreveu. Todas as histórias de amor são iguais.''
O incrível Paulo Coelho.
O incrível Paulo Coelho.
quinta-feira, 10 de março de 2011
''Ah, imenso amor desconhecido,
Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã."
Para não morrer de sede, preciso de você agora, antes destas palavras todas cairem no abismo dos jornais não lidos ou jogados sem piedade no lixo. Do sonho, do engano, da possível treva e também da luz, do jogo, do embuste: preciso de você para dizer eu te amo outra e outra vez. Como se fosse possível, como se fosse verdade, como se fosse ontem e amanhã."
segunda-feira, 7 de março de 2011
"Tudo passa, o que queremos e o que não queremos que passe, a tristeza e o alívio coabitam no espaço desta certeza. Eu não tenho muitas respostas. O que eu tenho é fé. A lembrança de que as perguntas mudam. Um modo de acreditar que os tiquinhos de sol possam sorrir o suficiente para desarmar a sisudez nublada de alguns céus. E uma vontade bonita, toda minha, de crescer."
coragem.
''Eu não gosto de abandono, por isso acolho. Por isso recolho e não costuro sorriso porque chorar é preciso. Porque não importa se o desenho é feio. Ou se a ferida é doída. Eu contorno e de um jeito ou de outro, sempre tenho uma cor pra mudar a história. E na vida, a gente aprende que quanto mais a nuvem pesa e se enche de cinza, mais forte vem a chuva. Ou o choro. Sorte é ter um coração cheio de pancadas, metido em tempestades e sujeito a trovoadas. Esses sim são corações maduros de forte. Não de vez. Tenho um coração de todas as cores. Que amanhece azul e adormece vermelho ou bege ou rosa ou verde ou roxo ou...qualquer cor serve, porque quanto mais cor no coração, aprenda: mais coragem na vida.''domingo, 6 de março de 2011
Dia 5.
Lembro-me de quando era criança, minha cama era grande pra mim, a rua lá em baixo também. E o shopping ficava a quilômetros de distância. O Natal demorava a chegar. A mão do meu pai era a maior que existia. Meu avô sempre sabia das verdades. Eu não duvidava de nada. Dava medo do futuro. Lembro da praia nas férias, do medo do avião. da preocupação em escolher a roupa do ano novo, da saudade de alguém que tinha que ficar em casa nas férias. Lembro-me de como ser criança foi bom. Dava medo de um dia pensar em crescer. O tempo nunca perdoa, e crescer e saber que havia crescido foi devastador. Lembro-me bem do banho de chuva que tomei com minhas amigas em um ultimo dia de aula e você me olhou feio. De copos sujos na pia de minha antiga casa. Da pessoa que me ensinou que o amor era a coisa mais importante do mundo. Do dia em que alguém importante se foi e do dia em que tentou voltar. Do medo de trovoadas e dos pesadelos nas noites escuras. Lembro-me de suas mãos macias. Do abraço no peito acolhedor. Lembro da risada. Do abraço de despedida e de um beijinho na testa pela manha. De umas tarde de dezembro chuvosas, e da cor que o horizonte tinha em sua janela. Lembro-me como era imaginar a dor, imaginar perder alguém. Da hora preferida de alguém, ou de rostos e sorrisos afáveis e tão amáveis quanto. Lembro-me de reviravoltas na vida, do dia em que tudo desmoronou. E do início da nova construção. Lembro-me de rostos que se chamam saudade hoje. Da casa verde com janelas de uma vidraçaria mágica. De ver alguém enpinando pipas no telhado. Do filme no cinema. Do abraço. De um cheiro.
Lembro-me de um tempo, outro tempo... o tempo que eu ainda não conhecia a saudade.
Lembro-me de um tempo, outro tempo... o tempo que eu ainda não conhecia a saudade.
Desequilíbrio. Corda Bamba. Emociona-se. Chora. Chora. Pergunta. Chora. Reza. Crê. Levanta. Música. Lembrança. Delírio. Saudades... Movimento. Calendário. Corte. Coração. Tinta. Ventania. Esperança. Medo. Parada. Poesia. Som. Amigos. Vida. Morte. Sonho. Saudade. Tatuagem. Amor. Pouco. Muito. Extremo. Exagerado. Lágrimas. Telefone. Papel. Tina. Cheiro. Perfume. Girassol. Cravos. Pipocas. Amor. Sorriso. Medo. Estilhaço. Lágrima. Decepção. Tempo. Recuperação. Saudade... Dor. Lágrima. Incompleta. Busca. Perca. Tentativa. Vazio. Oco. Apreensão. Ciúme. Recomeço. Ansiedade. Saudade. Lembrança. Alegria. Festança. Sonho. Completa. Vazia. Sozinha. Sorriso. Casa. Você.Você. Você. Você. Lágrimas. Sorriso. Lágrima. Completa. Desequilíbrio. Risada. Loucura. Sonhos. Quebradiço. Você. Você. Você. Saudade...
sábado, 5 de março de 2011
''Eis a verdade sobre a tragédia: faz bem à alma.
O fato é que ue sou uma pessoa melhor por causa das mortes. Se tudo tem seu lado positivo, este é, sem dúvida, bem frágil. Mas existe. Isto não significa que ele valha a pena, que a troca seja justa ou algo semelhante, mas dei que sou um homem melhor do que eu era. Tenho uma noção mais apurada do que é importante. Compreendo melhor a dor das pessoas....''
O fato é que ue sou uma pessoa melhor por causa das mortes. Se tudo tem seu lado positivo, este é, sem dúvida, bem frágil. Mas existe. Isto não significa que ele valha a pena, que a troca seja justa ou algo semelhante, mas dei que sou um homem melhor do que eu era. Tenho uma noção mais apurada do que é importante. Compreendo melhor a dor das pessoas....''
"Há sempre o momento de pedir ajuda, de se abrir, de tentar sair do buraco. Mas, antes, é imprescindível passar por uma certa reclusão. Fechar-se em si, reconhecer a dor e aprender com ela. Enfrentá-la sem atuações. Deixar ela escapar pelo nariz, pelos olhos, deixar e...la vazar pelo corpo todo, sem pudores. Assim como protegemos nossa felicidade, temos também que proteger nossa infelicidade. Não há nada mais desgastante do que uma alegria forçada. Se você está infeliz, recolha-se, não suba ao palco. Disfarçar a dor é dor ainda maior.''

''Por tanto amor, por tanta emoção. A vida me fez assim, doce ou atroz, manso ou feroz. Eu caçador de mim. Preso a canções, entregue a paixões que nunca tiveram fim. Vou me encontrar longe do meu lugar. Nada a temer senão o correr da luta, nada a fazer senão esquecer o medo. Abrir o peito a força, numa procura. Longe se vai, sonhando demais mas onde se chega assim. Vou descobrir, o que me faz sentir. Eu, caçador de mim...''
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