''Sempre desprezei as coisas mornas, as coisas que não provocam ódio nem paixão, as coisas definidas como mais ou menos. Um filme mais ou menos, um livro mais ou menos. Tudo perda de tempo. Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, se acaso, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia. (...) As coisas muito boas e as coisas muito ruins exigem explicação. Coisas mais ou menos estão explicadas por si mesmas.
Perigoso é a gente se aprisionar no que nos ensinaram como certo e nunca mais se libertar, correndo o risco de não saber mais viver sem um manual de instrução.''
''Mas sabes principalmente, (...) que tudo passará um dia, quem sabe tão de repente quanto veio, ou lentamente, não importa.''
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
agradecer
Bambeia, cambaleia é dura na queda, custa a cair em si...
Já bebeu veneno e vai morrer de rir.
Vagueia, devaneia.
Já apanhou à beça, mas para quem sabe olhar a flor também é ferida aberta e não se vê chorar.
O sol ensolarará a estrada dela.
A lua alumiará o mar.
A vida é bela.
O sol, a estrada amarela.
E as ondas, as ondas, as ondas, ah as ondas...
e as coisas não poderiam ter chegado melhores até aqui.
P.S.

''Mas quando vejo no mapa uma ilha chamada Java,
(...) nas bandas da Ásia –
que dá uma vontade de ir pra lá, ah, isso dá.
Questão de paciência.''
(...) nas bandas da Ásia –
que dá uma vontade de ir pra lá, ah, isso dá.
Questão de paciência.''
ah minha ilha Java se chama Porto Seguro, é meus amores, realmente somos nada diante do tempo, passou e aqui estamos nós empacotando os biquinis e as burcas. Finalmente chegamos, nossa primeira conquista do ano!
''Não se pode ser infeliz, não se pode morrer em vida,
não se pode desistir de amar, de criar.
Não se pode: é pecado, é proibido — verbotten, não é assim em German?
Não é possível adiar a vida.
Há um mês recortei uma frase, não sei de quem, do jornal,
e colei em frente à minha escrivaninha:
“Se o homem não vem ao encontro do destino, será soterrado por ele”. Et voilá!''
Querido Caio, juro que um dia ainda te encontro no meio do céu.
não se pode desistir de amar, de criar.
Não se pode: é pecado, é proibido — verbotten, não é assim em German?
Não é possível adiar a vida.
Há um mês recortei uma frase, não sei de quem, do jornal,
e colei em frente à minha escrivaninha:
“Se o homem não vem ao encontro do destino, será soterrado por ele”. Et voilá!''
Querido Caio, juro que um dia ainda te encontro no meio do céu.
sexta-feira, 14 de janeiro de 2011
"Sempre acreditei que toda vez que a gente entra numa igreja pela primeira vez, vê uma estrela cadente ou amarra no pulso uma fitinha de Nosso Senhor do Bonfim, pode fazer um pedido. Ou três. Sempre faço. Quando são três, em geral, esqueço dois. Um nunca esqueci. Um sempre pedi: amor."
Caio Fernando Abreu
Caio Fernando Abreu

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
...tudo boagagem minha.
Te escrevo porque é noite, está quente e me convém.... Pra agora, eu só queria quê. Conversas baixinhas, brincadeiras com minhas mãos, uma sacudida com qualquer filosofia fodida, dilacerada, porque a poesia já acabou faz tempo. Ontem arranquei coisa pra caramba aqui de dentro. Com minhas unhas, mesmo. Te liguei e fiquei muda, de repente. Em minha voz não coube o excesso de palavras. Ela despenca ao te ouvir, antes de ser entregue. E se de repente eu te escuto, vou para a rua. Você me leva. Atraso passos, te imaginando na esquina seguinte. Batuco músicas com os dedos, sentada à mesa, enquanto meu coração pulsa teus passos inexistentes. Sinto teu cheiro pelo corredor. Você sorriria ao me ver assim, vestida de mim, e só. Ninguém sabe me traçar com os olhos como você faz. Já é tarde e eu estava precisando sentir. Sentir. Sentir tudo. O poeta disse: é preciso estar sempre embriagado. É preciso, sim. Embriagado de vinho, vida ou um sorriso teu. Porque por um instante eu perco o medo de me entregar. De ser. E penso que o amor é essa coisa assim, que tomam de você a vida inteira. E sempre vai ter. Sempre tanto. Tanto. É como quando você me deu aquele último abraço e eu me descobri cheia de corações. Seria impossível tamanho rebuliço por conta de um só pulsar. Eu tenho um coração em cada canto. Um acúmulo bonito de coisas que não consigo nem mostrar. Te escrevo porque, caminhando, vi uma coisa desse jeitinho, todinha azul, completamente blue e lembrei de você. Pessoas sorrindo, um amor acontecendo em algum lugar. E quando o relógio anunciar as duas horas da madrugada, eu escrevo mais uma taça e saio daqui poema. Eu quero muito ser feliz, cara. Com ou sem toda essa nossa simbiose monstra. A vida é muito mais barra sem você, constato. Te envio então esses meus recortes de um decalque quase-romântico. E te escrevo porque sempre haveremos de ser necessários.
necessários um para o outro.
necessários um para o outro.
perfeitamente
"Podemos maquiar algumas respostas ou podemos silenciar sobre o que não queremos que venha à tona. Inútil. A soma dos nossos dias assinará este inventário. Fará um levantamento honesto. Cazuza já nos cutucava: suas idéias correspondem aos fatos? De novo: o que a gente diz é apenas o que a gente diz. Lá no finalzinho, a vida que construímos é que se revelará o mais eficiente detector de nossas mentiras."
(Martha Medeiros)
(Martha Medeiros)
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