sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

365 irmãos.

O ano se encaminha para o fim, e como de costume faço um tremenda retrospectiva do ano, somente para me convencer de que tudo realmente passou rápido. Odeio clichês, mas sou viciada em alguns e esse é um deles. Estamos em véspera de véspera de natal, e eu já vou logo me apressando e lembrando que o ano novo já vem, então, hora de retrospectiva. Então, digo aprendi em um ano, coisas que não aprendi em 18.
Claro, qual seria a surpresa? é pra isso mesmo que servem os dias não é? eles são tantos, a maioria comuns, perdidos entre 365 irmãos, que em um espaço de tempo, só alguns demostram alguma coisa em especial. E nesse ano, eu tive o prazer de me encontrar com uns irmãos especiais.
No meio dos 365, eu vi, e revi coisas que eu não pensava que ainda encontraria. Me vi pequena, me vi grande, forte e fraca, onipotente diante de muitas coisas. Vi que sei abrir mão, sim, eu afinal, aprendi a abdicar, será?
Estou dizendo adeus a uma fase importantíssima de minha vida, adeus colégio. Me vi obrigada a me despedir de uma pessoa muito especial que esse ano foi morar longe, e logo outra irá também, ah, que saudade vocês vão deixar. Um vazio, um estampido no ouvido e estampado no rosto, entre lágrimas de alegria e saudade. Nossos amigos realmente constituem nosso mundo não importa onde quer que estejamos. Vou sentir a maior das saudades. A saudade de uma amizade.
Agora, com um pé no futuro, olho para trás para os ultimos resquíscios de minha adorada infância. Eu fui uma criança feliz. Lembro-me bem das manhãs de natal onde o papai noel era o assunto mais comentado, dos biscoitos e da cor do Tender na mesa, preparado especialmente para essa noite, do farfalhar dos embrulhos dos presentinhos e do tempo correndo para o ano novo, e eu nunca tinha roupas brancas para usar. Mas tinha esperanças. Sempre soube cultivá-las, e esperava ansiosa por elas.
Ironicamente, de um tempo pra cá, achei que tinha esquecido como era acreditar no futuro. Se prender em algo ou alguém é realmente uma situação muito triste para pessoas novas e de espíritos ainda livres. Liberdade é algo para se buscar. Logo vi então, que toda perda é necessária.
Logo aprendi, que o ombros só carregam aquilo que aguentam e não há saída.
Mascarar dores não funciona por muito tempo se elas não forem solucionadas, e deixar alguém que se ama partir, dói. Mas viver preso a esse alguém, é viver se assombrando.
Nesses 365 dias eu conheci os irmãos mais maravilhosos. Vivi na beirinha com alguns deles, beirando o perigo, nunca contive minha curiosidade de olhar de bruços o que tinha para baixo do abismo, mas sempre contive meu medo de cair. Eu nuca quis cair afinal. Eu nunca tive a intenção de machucar a mim mesma, mas claro, andei no escuro muitas vezes.
Aprendi que mudei. Nos finalmentes, eu tive minha maior mudança. Mudança essa que eu tento me acostumar todo dia quando vejo-a minha companheira, e digo para mim mesma, no auge das minhas conversas com o espelho: ''Não podia ter vindo em melhor hora.''
Deixei pra trás, há pouco tempo, alguém importante. Alguém que eu amei, que eu cuidei, e cultivei algo bom, aprendi mais uma vez então a abrir mão, e logo vi que ninguém pertence a ninguém, e existem ciclos que presisam ser fechados. parabéns para mim, depois de lutos, só vim aprender isso agora.
Então aprendi, o mais importante, aprendi sobre alegria. Sobre complemento. Ser complemento de si mesmo é algo magnífico.
Choro não vale o tempo, não vale o esforço, ciúmes não é algo bom, não conserva mesmo, só destrói em pedaços. Aprendi então que quem ama, cultiva. cuida. E isso é muito mais importante do que sentir ciúmes. Amor não precisam ser farpas.
Aprendi que ser grande de alma é muito mais importante do que aquilo que o mundo vê, e quem quer olhar de verdade logo, enxergará isso. Aprendi que o assunto principal não é entre mim e os outros. É entre mim e eu mesma, e entre mim e Deus.
Venho aprendendo a amar de forma nova, um amor novo é sempre algo bem vindo, sem abortar nem sentimento, um amor assim tão delicado. Sei que falho, mas eu tento. Tento abrir mão de velhos vícios e virtudes mudadas. Sei que cresci, só não sei como lidar com isso as vezes. Mascaro aqui um pedido de desculpas, para as orelhas que ocupei nos telefones, e se abusei de alguma companhia. e agradeço a algumas em especial, se vocês leram até aqui, são vocês. Porque eu sei as pessoas que leriam até aqui. Poucas, mas amadas.
2010 vai saindo a francesa, e deixa muitas coisas boas para sempre lembradas e remoldadas. que a fase nova traga sucesso pra todos nós e mais e mais crescimento, só vale a pena cultivar as coisas e lembranças boas no coração. Os 365 irmãos foram bondosos, e pelo menos para mim, o ano não poderia ter sido melhor.