quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Carta

Os dias vão passando devagarzinho, se arrastando em sua imensidão. As emoções continuam vindo, continuam cofundindo, chove dentro de mim na maioria das vezes, e em outras o sol irradia forte de um sorriso. Quando lembro de você, ou quando esqueço de você. Tenho tido insônia há quase uma semana. Faz quase uma semana, que eu nao durmo direito, que eu me sinto cansada, com olheiras e a dor nas minhas costas só vem piorando, um turbilhão de emoções que pedem para serem vividas ou esquecidas não me deixam dormir. Levanto. Ando pela casa vazia de corpos se movimentando às onze... meia-noite. Não sei bem que horas. Abro a geladeira, bebo água, sento no sofá um pouco, levanto, entro no quarto, coloco um filme, não vejo o filme, pego um cigarro, lembra você. Paranóia delirante. Esqueço temporariamente que sofro. Sorrio até. As vezes da minha dor, ás vezes de saudade e as vezes, simplesmente, sorrio. Rio de mim, e dessa minha bobagem infantil de sofrer por você. Logo, choro também, para aliviar o peito daquela angústia que corroí tudo por dentro. Pego o telefone, olho pra ele, brigo com ele, jogo-o no chão. Tudo bem, eu sei que você está melhorando. Eu posso ouvir na sua voz quando insisto em ligar-te que uma alegria ainda brota em você, talvez nova, talvez velha, mas lá está sua alegria, que eu sempre amei tanto. Sempre quis me inspirar nela. Olho em volta, me procuro, não me encontro, só sei ver você. Droga. Respiro.. respiro fundo pra oxigenar meu cérebro, meu coração. Ele precisa de ar, coitadinho, está meio murcho, meio calmo, meio acelerado, meio machucado. Daí, eu olho o relógio, e ele me diz que já é hora de ir dormir, rezo. Peço que alguém me olhe lá de cima, me oriente lá de cima. Peço por você, peço principalmente, por mim. Deito, impossível dormir, parece que eu acabei de acordar, que o dia só começou, e tudo foi só uma noite sem você, sem sua voz. Mas não, preciso dormir, o barulho do ar faz com que o silêncio pareça uma canção de ninar. Pertubadora. Ouço sua risadinha, seu assobio lá em baixo. Sonhei ou era você? Então, como prova que Deus existe, o sono vem, mesmo que curto. E eu durmo agradecendo por mais um dia ter passado, mais um dia que levou um pedacinho da dor embora. E logo o clarear do dia vai chegar. Claro coração, faço tudo isso por você. Tudo isso pra que tudo passe, e você seja feliz. E assim, eu serei feliz também.